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Prevenção da Leishmaniose / Calazar

Prevenção da Leishmaniose / Calazar

A leishmaniose é uma doença grave causada por um micro-organismo (protozoário) denominado Leishmania. Ela também pode receber o nome de “calazar”, “doença de Bauru” ou “úlcera de Bauru”. O Norte e Nordeste do Brasil detém a maioria das ocorrências de leishmaniose, sendo consideradas regiões endêmicas do calazar, ou seja, a doença sempre está presente entre a população. Leia mais sobre a doença aqui.

Além desses locais, há outras cidades que apresentam um número crescente de cães contaminados, principalmente no interior de S. Paulo e Minas Gerais. Por se tratar de uma doença que pode ser transmitida do animal para o homem (zoonose) através da picada do flebótomo (“mosquito”), a leishmaniose causa preocupação nas autoridades. Em regiões afetadas, os centros de controle de zoonoses (CCZ) recolhem e sacrificam centenas de animais de rua para tentar controlar a doença, eliminando possíveis reservatórios.

Os cães domiciliados só podem ser sacrificados após passarem por exames que confirmem o calazar e o sacrifício de animais doentes é uma exigência do governo para controlar a leishmaniose humana.

A prevenção é a melhor maneira de se combater qualquer doença,  transmissível ou não. E o que pode ser feito para prevenir a leishmaniose?

É praticamente impossível acabar com o mosquito transmissor, mas é preciso combatê-lo. Para isso, devem ser tomadas medidas sanitárias corriqueiras, como não acumular lixo em casa ou jogá-lo em terrenos baldios. O lixo atrai “mosquitos” e é na matéria orgânica que eles se reproduzem. Além disso, é preciso afastar o flebótomo dos animais. Sem a picada, não há transmissão da leishmaniose.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o uso de coleira repelente a base de deltrametrina 4% em cães que habitam em regiões endêmicas da doença, ou que costumam frequentá-las. A coleira é específica para afastar os “mosquitos” dos animais, impedindo a contaminação. Deve ser utilizada durante todo o tempo, e trocada a cada seis meses para que a proteção seja eficiente. Existem outros repelentes, na forma de talco, spray e gotas, que agem de forma similar, porém eles possuem período de proteção menor.

Além do uso de repelentes, é preciso evitar que os cães entrem em locais de mata ou frequentem lugares próximos a ela. Recolher o cão à noite, quando a atividade do transmissor da doença é maior, também pode ajudar.

O uso de vacina contra a leishmaniose iniciou-se em 2005, aproximadamente. A vacinação é feita em clínicas particulares, sempre precedida por um exame sorológico (dosagem de anticorpos) para determinar se o cão possui a doença. Se já estiver contaminado, a vacina de nada adiantará.

Após o cão sadio ser vacinado contra a leishmaniose, o exame sorológico, antes negativo, passará a apresentar resultado positivo, pois a aplicação da vacina estimulará o organismo a produzir anticorpos. Apenas testes muito específicos poderão diferenciar o animal contaminado pela leishmania daquele que recebeu a vacinação, já que ambos terão resultado sorológico positivo para a doença.

Como a coleira repelente previne a contaminação de animais sadios e a transmissão da leishmaniose, algumas prefeituras optam por fazer o teste sorológico nos cães da cidade, e fornecer a coleira àqueles que estão sadios e não são portadores do calazar.

Foi o caso de Campo Grande (MS) em 2007. O CCZ constatou leishmaniose em 14% dos 115 mil cães testados, de janeiro a agosto daquele ano. Foram fornecidas pela prefeitura 70 mil coleiras para os animais que tiveram resultado negativo para o calazar. A prevenção é a forma mais eficiente e humana de controle da doença.

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