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Exposição de cães – o julgamento do cão

Exposição de cães – o julgamento do cão

Na avaliação de um exemplar para Exposição, o Árbitro julga mediante um roteiro. Os padrões oficiais das raças são elaborados pelas sociedades de criadores e, também, seguem este roteiro:

Cão sendo exibido numa competição

Exame Preliminar

1. Faltas Desqualificantes – neste quesito, o árbitro deverá verificar se o exemplar é ou não portador de faltas desqualificatórias comuns a todas as raças, tais como, cegueira, surdez, mutilações ou qualquer tipo de invalidez; atipicidade; machos que não apresentem um ou os dois testículos perfeitamente visíveis na bolsa escrotal; faltas desqualificantes textualmente descritas pelo padrão específico de cada raça, tais como: faltas dentárias, mordedura incorreta, altura, temperamento agressivo etc. e, finalmente, a utilização de artifícios químicos, físicos ou cirúrgicos com a intenção de alterar a aparência natural, em favor das características rácicas exigidas pelo padrão.

2. Caráter e Temperamento – sendo o temperamento parte da bagagem genética, tem um peso acentuado na avaliação das outras qualidades. Embora não se possa fazer testes de temperamento, durante uma exposição, exceto para o grupo terrier, que tem seu teste específico. Durante o exame preliminar, o árbitro avalia as qualidades da estrutura mental do exemplar, através da observação do seu comportamento.

Exame em STAY (Parado)

1. Aparência Geral – verificação das características de porte, tipo e da harmonia do conjunto: proporções entre a altura, a largura e o comprimento; entre a cabeça e o tronco; o comprimento, textura, pigmentação, cor e marcações da pelagem; estado do pelo, presença ou ausência de subpelo; substância: relação ossatura e musculatura.

2. Cabeça – exame das características gerais de masculinidade e feminilidade; da proporção crânio-focinho; da inserção e do porte das orelhas; da inserção, forma, cor
e expressão dos olhos; do stop, focinho e trufa; da boca: os maxilares, lábios, dentadura e mordedura, a coloração da mucosa e gengiva.

3. Linha Superior – visto de perfil, análise da linha de contorno que vai desde a nuca, passando pela crista da face dorsal do pescoço, cernelha, ápice dos processos espinhosos, ao longo da cadeia de vértebras dorsais e lombares até a garupa, na inserção da cauda. Neste quesito são examinados, ainda, a forma pela qual o pescoço está engastado no tronco; a posição da cernelha; resistência e elasticidade do dorso e do lombo; a posição, angulação e comprimento da garupa.

4. Linha Inferior – visto de perfil, análise da linha de contorno que vai da ponta do esterno (manúbrio), passando ao longo do esterno e do ventre, até a linha anterior do contorno da coxa. Aqui, são observados, ainda, o desenvolvimento do peito, de perfil, e do ante peito, de frente; forma e curvatura do arco descrito pelas costelas (visto pela frente ou por trás), conseqüentemente, o volume torácico e o grau de esgalgamento do abdome (com ou sem cinturinha).

5. Membros Anteriores – que inclui o ombro, o braço (úmero), o antebraço (rádio e ulna ou cúbito), a munheca (carpos e metacarpos) e o pé. O árbitro examina a substância,
angulações escapuloumerais, paralelismo dos aprumos, inclinação ou verticalidade e direcionamento dos metacarpos, formato e compacticidade das patas; espessura, cor e resistência das almofadas plantares, dureza e aspereza da sola.

6. Membros Posteriores – que compreende a garupa (coxal), coxa (fêmur), perna (tíbia e fíbula ou perônio), jarrete (tarsos e metatarsos) e as patas. O exame é semelhante ao dos anteriores: o árbitro confere com as características da raça, o comprimento, largura e a inclinação da garupa, as angulações das coxas com a garupa, das coxas com as pernas, o prumo dos jarretes e, conforme o item anterior, as patas.

7. Cauda – é examinada em item separado, dada a sua importância no conjunto de características de cada raça: a posição da inserção na garupa; espessura e comprimento, incluídas as caudectomizadas (caudas amputadas são proibidas em alguns países como o Brasil e na Europa); forma; porte e pelagem.

Em Movimento

Ida e Volta: Visto pela frente e/ou por trás – observação do grau de alinhamento, proximidade ou afastamento, entre os membros do lado esquerdo em relação aos do lado direito (single tracking ou em paralelo); o comportamento dos cotovelos; a direção, aprumo e firmeza dos metacarpos, durante uma passada e a direção, aprumo e firmeza dos jarretes, no instante da pisada.

O segredo de um bom julgamento é a análise do exemplar durante a movimentação.
É, quando o apresentador não tem como tocar seu cão, portanto não pode ajeitá-lo.

Em Círculo: Visto de perfil – o árbitro, no centro da pista, pede que o condutor movimente o exemplar a trote lento, em círculo, para observar a postura, o comportamento e o preparo físico do exemplar; comportamento (firmeza ou oscilação) da linha superior (pescoço, dorso, lombo e garupa); a fluência e desenvoltura na movimentação, alcance das passadas dos membros anteriores, rendimento da propulsão dos posteriores e a cobertura de solo.

É o momento em que a rigidez/flacidez de seu dorso se evidencia. O comprimento do passo pode ser comparado com o comprimento do passo dos outros exemplares etc. É, também, quando alguns apresentadores confundem com competição de velocidade e tentam correr mais, às vezes um exemplar com boa amplitude de passada fica prejudicado porque para correr precisou aumentar a freqüência das passadas e, como conseqüência, reduzir o tamanho do passo.

A Preparação do Cão Para a Exposição

Sabendo o que se pede é relativamente fácil preparar seu cão para ser exibido numa exposição.
Atenção – nenhum cão poderá apresentar-se em Exposições de Estrutura e Beleza com coleiras de grampo (espinhos). O cão será desclassificado.

  1. O treinamento:
    – Exame preliminar – o cão, qualquer que seja a raça, deverá estar treinado para se deixar tocar de tal maneira que o Árbitro possa verificar a dentadura, no caso dos machos, os testículos, e sentir sua estrutura.
    – Exame em stay (parado) – o cão deve estar treinado para permanecer imóvel, em posição anatômica, durante, pelo menos, três minutos para permitir a observação do árbitro.
    – Exame em movimento – o cão deve movimentar-se a trote, em linha reta, na direção que o árbitro orientar sem demonstrar ansiedade, agressividade ou nervosismo.
    – Exame em conjunto com outros cães – da mesma forma o cão deverá se apresentar sociável sem aceitar provocações de outros cães e, principalmente, sem provocar.

2. O toucador:

  • Cães de pelo curto – (Boxer, Boberman, Mastife, Pinscher etc.) devem apresentar-se asseados, dentes limpos (sem tártaro), pelagem brilhante, unhas aparadas e isentos de cheiros desagradáveis.
  • Cães de pelo médio – (Collie, Golden Retriever, Setter etc.) além dos quesitos dos de pelo curto, devem estar escovados e com o pelo desengordurado. Se o padrão indicar tosa, devem estar tosados de acordo com o descrito no padrão.
  • Cães de pelo longo – (Lhasa Apso, Poodle, Maltês, Bichon frisée etc.) além dos quesitos dos de pelo curto, devem estar escovados, com o pelo desengordurado e tosados de acordo com o descrito no padrão.

3. O apresentador – o cão poderá ser apresentado por um handler profissional, amador ou pelo seu proprietário. Em qualquer dos casos o apresentador deverá respeitar o Árbitro, os organizadores do evento e seus colegas de competição com uma atitude esportiva qualquer que seja o resultado.

4. O Árbitro – é a autoridade máxima dentro da pista de julgamento e suas decisões deverão ser respeitadas, pois os resultados são indiscutíveis e irrecorríveis.

5. Dúvidas e Reclamações – quaisquer dúvidas ou reclamações deverão ser dirigidas à superintendência da Exposição.

Bruno Tausz

- Etólogo - Canil Bruno Tausz - Árbitro Allrounder da CBKC - Árbitro de Adestramento da CBKC

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