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Endoscopia – Diagnóstico em cães e gatos

Endoscopia – Diagnóstico em cães e gatos

Por Andrés J. Flores Alés

A endoscopia é uma das técnicas médicas de vasta aplicação em veterinária. Por sua característica não invasiva e segura, se utiliza no diagnóstico e tratamento de enfermidades em cães, gatos e outros animais, pois é o meio mais confiável de exploração e de obtenção de amostras de tecidos (biópsias) sem necessidade de recorrer à cirurgia.

O  endoscópio consiste num tubo flexível com sistema de irrigação e insuflação. Um sistema externo permite dirigir, observar e realizar procedimentos em um monitor de vídeo, graças a um microchip eletrônico.

A exploração fica registrada em fotos e mídias digitais, com o que se mantém um arquivo gráfico de documentação científica para recuperar e computadorizar dados de interesse.

Esse conjunto, formado pelo endoscópio, o monitor, a impressora, a filmadora e o equipamento auxiliar, se dispõem em uma “torre de endoscopia”, situada na sala de exames de maneira que permita observar o que está acontecendo no órgão explorado, tanto pelo veterinário como pelos ajudantes.

Pelo canal de biópsia introduzimos o material acessório, pinças de formatos diversos que utilizamos para o diagnóstico e tratamento das diferentes afecções: biópsias, eliminação de pólipos e extração de corpos estranhos.

O progresso da endoscopia em animais nos últimos anos tem sido espetacular, de tal forma que agora não se entende como se pode diagnosticar corretamente certas patologias digestivas e respiratórias se não for com a ajuda de imagens endoscópicas.

Pode-se afirmar que a endoscopia flexível proporciona um grande grau de segurança diagnóstica e acaba com os diagnósticos de aproximação que durante anos temos aceitado da radiologia.

O exposto não exclui que um animal tenha que ser examinado clinicamente de maneira exaustiva, devendo submeter-se previamente à endoscopia, a um exame de sangue e a um rotineiro estudo radiográfico de controle.

A endoscopia é a técnica de imagem que mais complementa outros métodos, e que está especialmente indicada diante de certos sintomas. Hoje em dia, qualquer veterinário especialista em animais de companhia que trabalhe em um consultório, clínica ou hospital veterinário, conhece quando há necessidade de uma exploração endoscópica ou de se encaminhar o paciente a um centro especializado em técnicas por imagens.

Para exemplo, citamos algumas das indicações que a exploração endoscópica tem na veterinária.

A esôfago-gastro-duodenoscopia (exploração do esôfago, estômago e duodeno) se realiza diante de sinais de regurgitação, disfagia (dificuldade de deglutir), deglutição exagerada, mudança de apetite, náuseas, hipersalivação, vômitos, diarreia, perda de peso.

Os diagnósticos de estenose, esofagite, megaesôfago, arco aórtico persistente, hérnia, gastrite, úlceras, hipertrofia pilórica, corpos estranhos, tumores, duodenite, enfermidade inflamatória, etc., se realizam por endoscopia. O tratamento mais frequente é a extração de ossos, anzóis, etc., encravados no esôfago torácico e estômago, pois os benefícios desta técnica não invasiva ante a alternativa de se realizar uma cirurgia convencional é fácil de entender.

A reto-colonoscopia (exploração do reto e cólon – parte do intestino) examina todo o trato intestinal inferior até a confluência com o íleo e inclusive o ceco e íleo. Os sintomas de diarreia não esclarecidos por outras técnicas não escapam ao endoscopista veterinário, que pode diagnosticar e tratar adequadamente as enterites e colites inflamatórias, estenoses, pólipos, etc..

A rino-traqueo-broncoscopia (exploração do “nariz”, traqueia e brônquios) está indicada em casos de descarga nasal e ruídos respiratórios. Os diagnósticos de neoplasia, rinite, traqueite, bronquite, infecção parasitária e obstrução não se podem fazer de outra forma. É o único procedimento que nos permite chegar de forma atraumática até os brônquios. A identificação e extração de corpos estranhos é uma realidade, sem termos que recorrer à cirurgia torácica.

Concluímos afirmando que a endoscopia flexível é uma técnica diagnóstica e terapêutica importante na medicina veterinária e especialmente útil na exploração, diagnóstico de certeza e tratamento do trato gastro intestinal e das vias respiratórias.

É uma técnica que prestigia o veterinário, já que com a ajuda dos exames histopatológicos (do tecido), podemos emitir diagnósticos certeiros que, consequentemente, se acompanham de um prognóstico exato e tratamento adequado. Mas sempre será seu veterinário habitual, que conhece a história clínica de seu cão ou gato, o profissional capacitado para indicar em que casos concretos seu animal poderá beneficiar-se de sua aplicação.

Andrés J. Flores Alés

Veterinario endoscopista del Hospital Centro Policlínico Veterinario Málaga (España)

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